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 “Estando eles alegrando o seu coração, eis que os homens daquela cidade (homens que eram filhos de Belial) cercaram a casa, batendo à porta; e falaram ao ancião, senhor da casa, dizendo: Tira para fora o homem que entrou em tua casa, para que o conheçamos. E o homem, dono da casa, saiu a eles e disse-lhes: Não, irmãos meus, ora não façais semelhante mal; já que este homem entrou em minha casa, não façais tal loucura. Eis que a minha filha virgem e a concubina dele vo-las tirarei fora; humilhai-as a elas, e fazei delas o que parecer bem aos vossos olhos; porém a este homem não façais essa loucura.” (Juízes 19, 22-24).


É… e ainda chamam o cara de 'homem de Deus'

O macho, arma de destruição em massa

Sim, o intuito do artigo é polemizar… e chamar a atenção para um determinado fenômeno. Mas não, não deve ser esquecido o fato de que homens que se fizeram/ fazem de armas ao decorrer da história da humanidade no planeta, são, sobretudo, seres humanos.
Nenhuma arma se dispara sozinha, nenhuma faca esfaqueia sem que alguma mão a segure, assim também nenhuma mente humana (em detrimento daquelas atacadas por patologias…) decide prejudicar um semelhante sem que algo a impulsione. O que seria este algo (que, sem dúvidas, contempla questões de gênero)? O que proporcionaria o fato estatístico de que a maioria de agressores, a maioria de presos, a maioria de assaltantes, de matadores, de torturadores, de estupradores são homens? Seria tudo puro sadismo? Seria a materialização do ‘ímpeto masculino’, algo relativo à biologia, a hormônios? Seriam a sociedade, mídia, escola, igreja e família patriarcais, que disseminam e enaltecem modelos de masculinidade atrelados à agressividade, à imposição de poder, à prova de virilidade e superioridade? Que fatos sociais, históricos, políticos estariam colaborando para puxar esse gatilho?

Mulheres e homens não recebem uma educação igualitária por que, fora da sala de aula, mulheres não são percebidas como seres soberanos, mas como presa… A capacidade de pensar independentemente, de assumir desafios intelectuais, de se afirmar mentalmente, é inseparável de nosso modo de existir fisicamente no mundo, de nossos sentimentos de integridade pessoal. Se é perigoso para mim voltar andando da biblioteca para casa à noite por que sou uma mulher e posso ser estuprada nesse momento, então quão independente ou despreocupada posso me sentir enquanto sento para estudar nessa biblioteca? Quanto da minha energia mental para trabalhar está sendo drenada pelo conhecimento subliminar de que, como uma mulher, coloco à prova meu direito de existir fisicamente cada vez que saio de casa sozinha?

Adrienne Rich, do capítulo “Taking Women Students Seriously” de seu livro “On Lies, Secrets and Silence”. (traduzido)

E essa exaustão da nossa energia mental enquanto mulheres, por conta dos medos e das preocupações sérias e relevantes sobre nossa segurança e nosso bem-estar, se estende a todos os âmbitos de nossas vidas. Nós não temos o privilégio de esquecer do nosso gênero e de todos os significados e problemas - de origem histórica e social - atrelados a ele. Basta sairmos de casa para lembrarmos “sou uma mulher e estou sozinha na rua/na biblioteca/no bar/etc” e ficarmos tensas pois sabemos o que isso significa para essa sociedade. É como se o simples fato de estarmos vivas e andando por aí fosse, por si só, uma afronta, uma subversão.

(via comoassimnaoefeminista)

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